01 SET 2026
• Mundo Lider
Da natureza à arquitetura, do cotidiano à cultura brasileira, referências aparentemente simples podem se transformar em inspirações para mobiliário. Conheça algumas das histórias por trás das formas do design Lider.
No design, criar também é saber observar. Uma forma encontrada na natureza, uma técnica artesanal, uma estrutura arquitetônica ou até um objeto que faz parte do nosso cotidiano podem servir como ponto de partida para uma nova peça. O olhar do designer é justamente o que transforma essas referências em proporções, materiais, volumes e soluções capazes de ganhar novos significados.
Para nós, muitas dessas inspirações estão diretamente ligadas ao Brasil. São elementos da nossa paisagem, cultura e modos de fazer que aparecem reinterpretados no mobiliário, sem necessariamente reproduzir suas formas de maneira literal.
Selecionamos quatro exemplos que mostram como aquilo que vemos se transforma naquilo que criamos.
Poltrona Guaruçá por Mauricio Arruda: formas que vêm do litoral

O guaruçá, pequeno caranguejo encontrado nas praias brasileiras, serviu como referência para uma poltrona de estrutura marcante e proporções generosas.
Na peça, a robustez da madeira convive com a maciez do assento e do encosto estofados. Mais do que reproduzir literalmente a aparência do animal, o desenho trabalha a referência de maneira sutil, transformando elementos do universo natural em uma linguagem contemporânea. “A ideia dessa poltrona foi criar uma peça confortável, estável e que fosse protagonista dentro de uma sala de estar”, afirma o arquiteto Mauricio Arruda.
Banqueta Manguezal por Mauricio Arruda: a natureza como estrutura

Poucas paisagens são tão visualmente marcantes quanto um manguezal. Suas raízes se cruzam, sustentam-se e criam uma espécie de arquitetura natural sobre a água.
Essa lógica estrutural aparece reinterpretada na banqueta Manguezal. Os elementos verticais de madeira e os apoios que envolvem a base remetem à repetição e ao entrelaçamento encontrados nesse ecossistema. A inspiração demonstra como a natureza pode oferecer soluções que vão além da estética: ela também ensina sobre equilíbrio, sustentação e estrutura. “A banqueta Manguezal é estável, e bonita de ver tanto de frente quanto de costas”, explica Mauricio Arruda.
Mesa Viga por Suite Design: arquitetura traduzida em mobiliário

Na mesa Viga, a inspiração está explícita no próprio nome. Elemento fundamental da arquitetura e da engenharia, a viga deixa de ser apenas uma estrutura construtiva para se tornar protagonista do desenho. “Usamos referências nipônicas para desenhar essa peça, como o encaixe que a arquitetura japonesa tem”, explica Daniela Frugiuele, uma das arquitetas fundadora de Suite Design.
A peça explora o encontro entre planos e volumes, evidenciando sua estrutura em vez de escondê-la. Madeira e elemento estrutural central estabelecem um diálogo entre arquitetura e mobiliário, conferindo personalidade à mesa. É um exemplo de como soluções tradicionalmente associadas às construções podem mudar de escala e assumir novas funções dentro de casa.
Cama Moara por Nildo José | NJ+ Arquitetura: o fazer artesanal como referência

O artesanato também ocupa um lugar importante no repertório do design brasileiro. Na cama Moara, o ponto de partida está nas técnicas manuais e na ideia do trançado, em que repetição, ritmo e matéria constroem uma superfície.
Essa memória do fazer artesanal é transportada para um desenho contemporâneo, de linhas suaves e volumes acolhedores. Em vez de uma interpretação óbvia, a referência aparece na construção conceitual da peça e na valorização de saberes ligados à cultura material brasileira. “Além disso, a cama é mais baixa, bem perto do chão, e é assim que os povos originários dormiam”, explica o arquiteto Nildo José.
Mesa Aro por Estúdio Lider: a simplicidade da geometria

Uma forma elementar pode ser o ponto de partida para um desenho cheio de personalidade. Na mesa Aro, a referência está na geometria circular e na ideia de continuidade sugerida pelo próprio aro. Essa forma essencial é reinterpretada no mobiliário por meio de linhas, proporções e encontros que conferem identidade à peça. Um exemplo de como o design pode partir de algo simples e universal para chegar a uma solução contemporânea.
Mesa Café por Giácomo Tomazzi: o cotidiano como inspiração

Poucos elementos fazem parte da cultura brasileira de maneira tão afetiva quanto o café. Presente nos encontros, nas pausas e nos pequenos rituais do dia a dia, ele também pode alimentar o repertório criativo do design. Na mesa Café, essa referência cotidiana é transformada em formas, diferentes planos e possibilidades de composição, mostrando que aquilo que nos cerca todos os dias também pode dar origem a um desenho surpreendente.
Design é também uma forma de olhar
Natureza, arquitetura, artesanato, cultura e cotidiano formam um repertório inesgotável. Mas a diferença está na maneira como cada referência é interpretada.
Ao transformar manguezais, estruturas arquitetônicas, técnicas artesanais e elementos cotidianos em mobiliário, o design revela que inovação e identidade podem nascer de algo que sempre esteve diante dos nossos olhos. No design, tudo pode ser ponto de partida. Basta um olhar atento.
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